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Shawn: Meu coração parece papel higiênico molhado, Gus. E nem é de duas camadas… parece até papel higiênico de escola!

Psych é conhecido por dosar seu ótimo humor sem forçar os protagonistas a fazer piadas e dosando gentilmente todas as citações com o tema do episódio. E não era isso que Right Turn or Left for Dead pedia. Todos nós ficamos chocados com o que aconteceu no fim de Deez Nups… e é claro que o episódio seguinte teria de ter uma temática séria, diferente, pra mostrar que a mesma angustia que sentimos é o que também anda sentindo nosso querido Shawn.

E é claro que a produção acertou de novo! Vou confessar que depois de Santabarbaratown, eu esperava um Santabarbaratown 2 bem obscuro e sério, afinal estávamos tratando da quase morte de ninguém menos do que o mentor de Shawn. Mas o episódio tratou tudo num humor tão leve que percebi que estava errado em achar que o episódio que dava sequência ao season finale da sexta temporada deveria ser extremamente sério. Ser sério não é ser Psych! Mas aqui era preciso…

O episódio começa com Shawn fervendo sua cabeça… ele fica imaginando como estariam as coisas caso ele não tivesse dado seu casaco pra Jules, o que consequentemente fez com que ela achasse um recibo do Michael Damian num de seus bolsos e o resto todos sabemos por ter visto o episódio anterior. O escritor Carlos Jacott, que nos entregou o ótimo “Neil Simon’s Lover’s Retreat” (ou “O Refúgio da Amada“, aqui no Brasil. Pra quem não se lembra do episódio, é aquele em que o Gus acha o anel de casamento dentro do Nintendo DS) novamente faz um ótimo trabalho.

Eu não via jeito diferente pra proceder a história de Deez Nups do que contando duas realidades, uma delas alternativa, e a outra contando o que realmente está rolando depois de Jules descobrir o segredo de Shawn. Na realidade alternativa, Shawn usa uma camisa vermelha. Nessa realidade, ele e Jules estão super bem, brincando e dando risada da vida, como sempre fazem, e ainda presenteiam Lassie com um belo cachorro chamado Lassiter Jr. Ou simplesmente Lassie Jr., para os íntimos, que nem eu…

Já na outra realidade, Shawn está tentando levar tudo numa boa, achando que Jules vai o perdoar rapidamente e que ela está exagerando. Mas todos sabemos que pra ela honestidade é tudo na vida… não a toa ela se afastou de seu pai e prendeu seu irmão, só pra citar alguns exemplos. Enquanto voltava pra casa após sair cabisbaixo da festa de casamento de Lassie, Shawn pega um taxi e, pra cada uma das realidades, um caminho diferente é escolhido, simbolizando perfeitamente o que todo este episódio significa. Não a toa o título é “Vire à Esquerda ou à Direita pra Morte“.

A proposta deste episódio é mostrar que sempre que tomamos uma escolha, quer ela seja pro nosso bem, quer não, sempre traz consequências. Podemos não ser afetados, mas com certeza outras pessoas são afetadas… na realidade alternativa, Shawn e Jules estão de bem e pedem pro taxi avançar pro lado direito… no dia seguinte, se deparam com o corpo de uma bela mulher sueca no necrotério do Woody. Já na verdadeira realidade, Shawn pede pro taxi seguir o caminho esquerdo, se deparando com a mulher que encontraria no necrotério, viva, na realidade alternativa.

A partir daí, são mostrados dois diferentes modos de resolver o caso… um com a ajuda da mulher, que está viva, enquanto recupera-se no hospital; e no outro (realidade alternativa), onde eles trabalham do zero, sem ajuda da mulher, pois ela já está morta. No processo todo, achei MUITO interessante em ver como estaria a relação Shules. Inspirados pelo recém-casamento de Lassie com Marlowe, ambos já até estariam falando de casamento caso não tivessem rompido! Claro, isso na cabeça de Shawn. Mesmo assim, é animador ver que ele já pensa na possibilidade de passar oficialmente o resto de sua vida com Jules. Tomar o passo de morar juntos já foi algo grande pra ele… imagine casar. Tudo bem que teve a questão de Shawn levar a aliança na viagem que fizeram em Neil Simon’s, mas sinceramente eu acho que ele não iria pedir ela em casamento por estar menos maduro do que agora.

Quem ficou em segundo plano desta vez foi Gus, que teve de ser o alívio cômico. Algo que não foge do comum. Numa das realidades, ele evita de comer um doce que é alérgico e acaba ficando estável de saúde. Na outra realidade, ele acaba comendo esse doce e pega uma alergia que lhe afeta completamente… e fica culpando o coitado do cachorro do Lassie como motivo de suas constantes coceiras. Sinto pena de Dulé Hill ao gravar esta cena… lembro-me que há quase um ano, no dia da filmagem desta cena, ele colocou no twitter um vídeo da equipe colocando as lentes de contato da alergia nele. E o coitado teve tanta dificuldade pra colocar as lentes que a cena se torna ainda mais prazeirosa de ver no episódio, dado o esforço que ele fez pra que tudo saísse bem.

Se Psych seguir esta ótima sequência de grandes episódios, a sétima temporada, que pra mim começou um pouco fraca, mas desde o episódio 4 não deixou a peteca cair, tem tudo pra se tornar a melhor da série. Os próximos episódios prometem nos trazer coisas boas, não só pelo lado humorístico como também pra relação Shules. Que tudo fique bem pro papel higiênico que fica no coração de Shawn ao menos secar pra ter chance de novamente ser usado.

NOTA:

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