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A data de hoje é mais do que especial para os Psych’os ao redor do mundo. Porque? Simplesmente porque há exatamente 10 anos atrás, Psych estreava na rede de televisão USA Network com seu episódio “Piloto. Criado por Steve Franks, a comédia-dramática acompanhou por oito anos um dos bromances mais engraçados da história da televisão, protagonizados por nossos queridos James Roday (na pele do lendário Shawn Spencer) e Dulé Hill (que deu vida ao chorão e meigo Burton Guster). A dupla ajudou o Departamento de Polícia de Santa Barbara a resolver centenas de casos, acompanhados durante os 121 episódios da série.

Mesmo após uma década de lançamento e dois anos após o fim da jornada de Psych, os fãs ao redor do mundo ainda mantém o espírito da série vivo e fresco, como todo bom fã se responsabiliza a ser. Em gratidão a todo esse apoio após longevos dez anos, o portal americano Entertainment Weekly conversou hoje com o criador da série, Steve Franks, e os protagonistas James e Dulé. Como um presente para todos os Psych’os brasileiros, eis a entrevista completa e traduzida:

O piloto foi apenas uma espécie de desenho a lápis, um rascunho, que serviu para nos arriscarmos e mostrarmos um pouco do muito que ainda tínhamos a fazer”, diz a estrela da série, James Roday. “Quando eu olho pra trás e relembro o Piloto, eu enxergo tudo com muito carinho porque foi ali que plantamos a semente que culminaria em grandiosas coisas. Coisas essas que já eram incríveis, mesmo na segunda temporada; no começo de toda essa jornada. Eu via as coisas acontecendo e sentia “ei, estamos inovando com isso aqui!“.

Por mais que se passe em Santa Barbara, na Californa (EUA), as oito temporadas de Psych foram filmadas no Canada, o país vizinho. Claro, por questões monetárias/menor custo de filmagem. E como esquecer o grandioso frio, principalmente tratando-se de uma série que se passa no litoral americano?

Quando pousamos em Vancouver, choveu por 11 dias seguidos. Era como Blade Runner. Filmamos em outubro de 2005 e até o final das filmagens, houve um ponto em que tinha neve no chão. Quase congelamos enquanto fazíamos aquela cena em que Lassie bate a cabeça de Shawn na porta do carro antes de prendê-lo. Mas gosto de pensar que foi apenas um momento emocionante e divertido. Nós estávamos apenas tentando criar uma Santa Barbara fora do Noroeste do Pacífico e nossas palmeiras de plástico sempre estavam prontas para serem presas aos cenários fictícios antes de cada tomada. Foi uma experiência e tanto“, diz o criador da série, Steve Franks.

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James e Dulé em cena do episódio “Piloto”.

Já pra Roday, sua prova de fogo (ou de gelo) veio em outra cena. “Eu acho que a cena mais desafiadora foi aquela que fizemos bem no alto das montanhas em um lugar chamado Buntzen Lake (quando Shawn e Gus descobrem onde a vítima de sequestro estava escondida). Foi difícil, pois estávamos usando aquelas malhas finas, ao estilo Santa Barbara, quando na verdade filmávamos em um penhasco congelante com uma ventania de 15 graus ou menos. Um fato curioso é que toda a correria e pulos que dávamos durante os episódios era simplesmente para disfarçar o frio, já que éramos pra estar ensolarados e lindos ao sol de Santa Barbara, e não congelados no Canadá.

Uma das cenas mais cults do episódio piloto acontece quando Shawn e Gus fogem de carro ao roubar a mala de uma das personagens do episódio.

Eu me lembro dessa cena do piloto, em que atravessamos um beco correndo com uma mala. Eu não tinha feito muitas acrobacias antes disso, e de repente, lá estava eu, correndo atrás de um carro e me atirando na janela dele. Pra me ajudar a correr bem, fingi ser um jogador de futebol americano. Mas pensei ‘bem, é TV a cabo básica, então não preciso correr tanto’“, diz Dulé Hill, nosso eterno Gus.

Esses são o tipo de coisas que fazemos nos primeiros episódios apenas para impressionar os outros. É engraçado como no começo, somos todos entusiastas. Queremos mostrar que estamos pronto pra tudo, só para não perdermos o emprego e que você trabalha bem em equipe. Quatro ou cinco temporadas depois, apenas falávamos ‘isso vai ser algo divertido não pra fazer, mas sim pra assistir meu dublê fazendo’“, completa Roday, em meio a risadas.

Agora, como a série conquistou cada um dos dois atores? Todos concordam que dois marmanjos correndo e gritando como crianças ao mesmo tempo em que tentam ser detetives foi o ponto crucial para os solidificarem em seus papeis.

Com essa série, eu imaginava que o céu era o limite. Em uma cena éramos dois detetives fazendo um trabalho plausível, e na cena seguinte nos restava sair correndo que nem garotas e com os braços moles“, diz Hill. “Acho que os gritos de garotas foi um momento crucial para definir nossas personalidades na série“, completa James.

Uma das gags recorrentes de Psych, e que posteriormente se tornaria o símbolo da série, é o já famoso abacaxi. E tudo isso começou com um simples improviso de Roday.

Adoramos tanto a cena do abacaxi que pedimos pro James fazer aquela cena umas 15 vezes. E tudo o que ele fez naquele dia era apenas segurar um abacaxi e perguntar ‘quer que eu leve isso pra viagem?’. Ele adorou tanto que a cada tomada, ele fazia de forma mais e mais animada. E eu pensei: ‘preciso usar isso em outras partes do show’. E no fim das contas, creio que todos acharam a mesma graça que eu achei“, afirma Steve Franks.

A graça dessa história é que tudo foi iniciado a partir do brilhantismo do Roday. Aquela fala não estava no roteiro. Até que ele, por vontade própria, pegou a primeira coisa que viu no cenário e formou uma frase. A partir daí, tivemos várias e várias piadas com abacaxi. Foram coisas tão pequenas como essas que nos dava orgulho de finalizar cada um dos episódios, e para Shawn e Gus, de resolverem seus casos. Só crescemos muito a partir dali“.

A descoberta do mesmo gosto musical fez com que James e Dulé gerassem o primeiro Psych-out da série. Assista abaixo:

Roday e eu temos muito em comum. Principalmente no que diz respeito a musicas. Somos apaixonados pelos anos 80, e cantávamos com orgulho as músicas do Michael Jackson, Tears for Fears… Qualquer coisa que tinha sido lançada nos anos 80, a gente cantava na frente das câmeras. E isso, de uma forma engraçada, também virou uma gag no show. Fazíamos paródias ao som de “Man in the Mirror”, e aí, eles aproveitavam e algumas vezes, nos filmavam já depois das cenas apenas para criarem Psych-outs. Com o tempo, fomos refinando nossa performance e dinâmica, para não fazermos feio“, diz Dulé Hill.

Ninguém podia dizer nada que nós já transformávamos isso em música. Creio eu que de tanto fazermos isso, algumas pessoas deixaram de gostar da gente. Mas desculpa pessoal, não podíamos deixar passar“, completa James Roday.

Os anos se passaram e a série consolidou-se como uma das mais assistidas na TV a cabo dos EUA, batendo recordes com episódios como “Dual Spires” ou mantendo a excelente média de audiência, como em todas as estréias de temporadas. A ajuda de todo o elenco e principalmente dos fãs foi crucial para tal feito. Ainda assim, uma ausência muito sentida no Piloto, que é o episódio mais assistido de Psych, ainda é pauta de muitos fãs da série.

Vejamos o que Steve Franks têm a falar sobre a ausência de Juliet O’Hara, a icônica detetive e interesse amoroso de Shawn, interpretada por Maggie Lawson.

A emissora tem toda essa política de testes de elenco e, no fim das contas, isso nos gerou um problemão. Nenhum dos testes de parceira feminina pro Lassiter tinha dado certo. Mas isso também não quer dizer que o teste de Anne Dudek (a Lucinda Barry, do episódio piloto) tenha sido ruim. Mas houve muita confusão a respeito da separação do Lassiter. Precisávamos que as pessoas entendessem que ele tinha se divorciado“.

Mas muitas pessoas pensaram que ele ainda era casado e estava tendo um affair com sua parceira ao mesmo tempo. Você tinha que ouvir com muita atenção para saber desse detalhe, de que ele estava se separando. Então, foi uma reflexão que nos fez tirar Lucinda da série e dar à Lassiter uma nova parceira, para que as pessoas acompanhassem tudo desde o início“, continua Franks.

Eu sabia que Lassiter ia ser o antagonista durante uma parte da série. Mas eu também sabia onde exatamente queria chegar com seu caráter, e se as pessoas não derem uma chance pro personagens, morreríamos afogados depois de tanto nadar. Pensamos, pensamos, pensamos e após a aprovação do Piloto, encontramos Maggie, que se juntou ao time e, obviamente, trouxe a magia que fez tudo funcionar.

Eu sempre achei um pouco estranho a ausência da Jules quando eu volto e reassisto o Piloto. Há sempre uma desconexão, porque obviamente, ela se tornou uma parte tão instrumental e tão harmônica em nossa orquestra. Então, isso é e sempre será um pouco chocante“, finaliza Roday.

Psych completa seus dez anos hoje e o legado da série permanecerá para sempre. Enquanto não sabemos o que o futuro nos reserva (alô, filme de Psych), você pode viver e reviver à todas as aventuras de Shawn e Gus, comprando os DVDs da série, em especial as temporadas finais, lançadas exclusivamente por nosso site. Clique aqui para mais informações.